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Quadrilha junina disputa festivais com enredo em defesa do Ceará na disputa de terras com o Piauí

Apresentação aconteceu em Pindoguaba, distrito na zona rural da cidade de Tianguá (CE), a 310 km de Fortaleza, que pode passar a ser do Piauí.

Publicada em 22/06/22 às 13:37h

por Por g1 CE


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Quadrilha \"Milho Verde\" durante o Festival de Quadrilhas de Pindoguaba.  (Foto: Léo Torres/Arquivo Pessoal)
Uma quadrilha junina da cidade cearense de Tianguá escolheu o tema "Meu Lugar é o Ceará" para seu enredo defendendo o estado na briga por terras com o Piauí. O grupo é do distrito de Pindoguaba e venceu dois festivais na localidade, na terça-feira (21) e no domingo (19).

O distrito de Pindoguaba tem seis mil habitantes que podem ''se tornar'' piauienses caso o Supremo Tribunal de Justiça (STF) aceite a reivindicação do Piauí por terras que atualmente são cearenses, utilizando como parâmetro um estudo feito pelo Exército. Se a ação for aprovada conforme essa avaliação, 13 cidades cearenses perdem até 90% do território.

O Piauí diz ter provas históricas sobre a jurisdição da região. Pesquisadores cearenses, no entanto, dizem ter documentos que provam o contrário.

'Amamos o Ceará'
A cantora da quadrilha, Carol Carvalho, 30, afirmou para o g1 da satisfação dos moradores de cantar a música durante o festival. Ela explica que os cearenses gostam do povo do Piauí, porém não tem como deixar de ser cearense. Parte da letra diz "Eu não quero ser do Piauí meu lugar é no Ceará. O Ceará tem tudo de bom. Tem serra, sertão e litoral".

“Nosso repertório é muito original e as letras da quadrilha também. Todos da banda participaram da música e tentamos passar toda nossa emoção para o público. E umas partes da música fala: 'Eu não quero ser do Piauí, meu lugar é no Ceará. Nada contra os nossos irmãos. Eles são sempre bem vindos aqui. Somos filhos da mesma nação'. É com prazer que cantamos isso e batemos no peito para dizer que amamos o nosso Ceará", afirmou Carol Carvalho, que tem uma cafeteria no Centro de Tianguá.

Reginaldo Ferreira, 44, o compositor da canção nasceu em Fortaleza, porém há mais de 30 anos mora em Tianguá. Além de trabalhar na produção de filmes sobre a cultura nordestina, Reginaldo é socorrista do resgate do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

"Há mais de 20 anos trabalho com cultura popular como teatro e dança. E as festas juninas é minha grande paixão. A quadrilha Milho Verde esse ano completa 20 anos. Sobre o tema surgiu por acaso. Estava trabalhando na temática 2022 quando vi uma matéria sobre o litígio e isso me chamou minha atenção. Maioria da população não quer mudar de endereço. Existe um sentimento de pertence ao cearense".

O professor de inglês Felype Forte, 29, trabalha em Itapipoca, a 186 km de Tianguá. Ele é casado com uma morada de Pindoguaba. Segundo Felype Forte o município é sua segunda cidade e afirma que esse tema do litígio tocou o sentimento do povo.

“Eu estava assistindo a apresentação da quadrilha. E ontem[terça-feira] estava lotado e todo mundo da região foi ver a apresentação. Tema foi sobre o Litígio das Terras da Ibiapaba. E as terras de Pindoguaba corre risco de passar para o Piauí e virou assunto pertinente para os moradores. Eles fazem parte desta história”, afirmou.

“Eu posso dizer que foi cantado ali na música da quadrilha representa muito bem o sentimento da gente. Todos nossos ancestrais foram e são cearenses. Nós somos cearenses”, completou.

'Não há interesse econômico'
O procurador do Piauí, Luiz Filipe Ribeiro, diz não haver interesse econômico na ação que reivindica as terras, mas o reconhecimento jurídico de um decreto de 1880 que determina a região como piauiense.

Se o STF decidir a favor do Piauí, o parque, que é um dos principais pontos turísticos do Ceará, passa a pertencer ao estado vizinho. Moradores da região afirmam que o Piauí tem interesse no potencial econômico da região; Luiz Filipe, procurador do Piauí, nega.

"A ação é pautada no interesse jurídico, a indefinição gera uma insegurança jurídica. Se houver repercussão econômica, não é objeto dessa ação. Existem dados geográficos que fundamentam a ação. É uma ação bem embasada com fatos históricos e jurídicos, não é nenhuma ação aventureira", diz.




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