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Há 20 anos, Zagallo disse: 'Vocês vão ter que me engolir'; veja o que Luxemburgo tem a ver com desabafo

Publicada em 29/06/17 as 12:02h por ESPN


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O técnico Zagallo observa jogadores treinando no campo, em 1997  (Foto: GAZETAPRESS)
Há exatos 20 anos, Mario Jorge Lobo Zagallo bradava contra os críticos e cunhava uma das frases mais famosas do futebol brasileiro. Foi um desabafo forte, direcionado aos que não aprovavam o nome dele à frente da seleção e o achavam ultrapassado.

Ainda no gramado do estádio Hernando Silles, em Laz Paz, onde o Brasil batera a Bolívia por 3 a 1, Zagallo nem esperou para festejar o título da Copa América de 1997, o quinto da história da seleção brasileira, e o primeiro obtido pela equipe fora do país.

"Ganhamos com dificuldade. Não tínhamos a mesma velocidade. Mas tínhamos o coração. [O título] É para vocês. Vocês sabem quem são. Não preciso dizer mais nada. Vocês vão ter de me engolir", bradou aos microfones da Rede Globo e TV Band, as duas emissoras que transmitiram os jogos do torneio e estavam em campo.

"Foi sensacional a vitória. Uma vitória no tato, no sangue, na raça e na vontade. Daquele que ama o Brasil contra aqueles que o repudiam", completou, com os olhos marejados.

Vinte anos depois Zagallo não esqueceu seu desabafo. Aos 85 anos, recordou até o que o motivou.

"Foi uma campanha vitoriosa. ganhamos todos os jogos. Mas durante o torneio começaram a fazer onda comigo. Falar contra o meu trabalho. Eu não podia falar nada a respeito, mas sabia que [alguns jornalistas] queriam colocar o [Vanderlei] Luxemburgo no meu lugar. Não tinha como eu falar isso. Chegamos à final e vencemos com merecimento a 3.600 metros, em La Paz. Aí foi o meu desabafo", disse Zagalo, por telefone, ao ESPN.com.br.

Eram comuns questionamentos se Zagallo reunia condições físicas, técnicas e mentais para dirigir a seleção. Aos 65 anos, carregava dois títulos mundiais como jogador (1958 e 1962), um como técnico (1970) e outro como coordenador (1994). Luxemburgo tinha 14 anos de profissão e estava em um momento vitorioso, com os títulos do Brasileiro em 1993 e 1994 pelo Palmeiras. 

"Eu tinha uma ótima seleção, fazia um ótimo trabalho. Fomos campeões e os críticos não tinham mais o que falar. Eu tinha um ambiente controlado. Não havia problemas com as estrelas. Eram jogadores de personalidade forte, como você mencionou. Mas não criaram problema algum porque foi bem administrado", relembrou o Velho Lobo.

Aos 85 anos, a memória do ex-treinador está excelente. Ele confessou à reportagem que vem tomando alguns cuidados especiais com a saúde.  "Eu estou bem, mas só saio de casa para ir em algum almoço ou jantar. Fico mais na minha residência. Assisto jogos de futebol, é claro, mas também de vôlei e tênis", afirmou.

Disputada na Bolívia, a Copa América de 1997 pode até não estar entre as maiores glórias da seleção brasileira. Mas ganhou um espaço especial na história por conta do desabafo de Zagallo. O ESPN.com.br preparou um especial recontando o cenário visto há 20 anos: o clima no país-sede, as rusgas, a seleção e como Zagallo chegou ao limite.

Foi a segunda vez que a Bolívia organizou a Copa América, sendo a vez anterior em 1963. Havia muita expectativa no país, mas que na prática se comprovou como uma frustração. Os ingressos mais baratos para os jogos do torneio custavam US$ 10. Se hoje o mesmo corresponde a R$ 33. Naqueles tempos, a moeda brasileira ficava pouco atrás da norte-americana, apenas centavos, sendo o valor convertido para R$ 10,11.

Mas a realidade boliviana não era essa.

Os jornais "Folha de S.Paulo" e "O Estado de S. Paulo" apresentavam reportagens em que a realidade do país era escancarada. O salário mínimo equivalia a US$ 40. Não à toa o torneio não foi um sucesso de público. A média de pagantes foi 17.868 pessoas por jogo, sendo a menor desde 1987 e uma das menores da história do torneio.

Durante o torneio, a organização fez promoções, permitindo que um bilhete desse lugar para dois torcedores. Isso foi válido para jogos de baixo interesse.

Vale lembrar que a Bolívia investiu US$ 20 milhões na organização.

A Bolívia tem o histórico de ser um país amigável para brasileiros, mas não era assim ao final do primeiro semestre de 1997. Havia hostilidade entre os dois países.

O motivo foi um fato ocorrido em 18 de maio, quando o estudante Mauro Salas de Morais, de 21 anos, agrediu violentamente um engraxate, em Santa Cruz de la Sierra. O brasileiro ficou detido por um mês, e o ato não foi ignorado pela população.

O consulado do Brasil havia elaborado uma cartilha para os torcedores com destino para a Bolívia. Era uma forma de prevenção. Junto ao documento havia um "guia do torcedor", alertando para evitar possíveis exageros nos estádios e nas ruas.

Mesmo assim ocorreram brigas entre bolivianos e brasileiros durante o jogo entre Brasil e México. Um estudante brasileiro foi detido pela polícia e reclamou de maus tratos.

Foi assim o torneio todo, segundo reportagens dos principais jornais do Brasil.

Vale lembrar que naquela época era muito comum brasileiros mudarem para o país vizinho para estudar nas universidades locais, que tinham custo baixo e alto nível.

Além da economia boliviana em baixa, outro fator que talvez ajude a explicar a pouca presença de público na competição é que somente Brasil, Bolívia, Costa Rica, Paraguai e Venezuela jogaram o torneio com suas seleções principais.

Não é preciso explicar porque entre essas equipes apenas Brasil e Paraguai reuniam jogadores conhecidos e capazes de empolgar o público.

Do lado verde e amarelo, estavam o goleiro Taffarel, os laterais Cafu e Roberto Carlos, os zagueiros Aldair e Márcio Santos, os meio-campistas Dunga, Mauro Silva, Leonardo e Giovanni e os atacantes Ronaldo e Romário. Ainda tinha nomes como Célio Silva, Gonçalves, Djalminha, César Sampaio, Flávio Conceição, Denílson, Edmundo e Paulo Nunes.

Dirigidos por Paulo César Carpegiani, os paraguaios tinham o goleiro Chilavert, o lateral Arce, os zagueiros Ayala e Gamarra e o meia Acuña como os mais conhecidos.

Argentina não levou nenhuma de suas estrelas de primeira linha, enquanto o Uruguai levou alguns jovens talentos, como o meia Recoba, 21, e o atacante Loco Abreu, 20. A Colômbia tinha também alguns valores bons, como o goleiro Mondragón, os zagueiros Córdoba e Bermúdez e os atacantes Aristizábal, Asprilla e Escobar.




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