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Após extinção, Cearamor, TUF e JGT recorrem; MP-CE não crê em volta

Publicada em 17/06/16 as 22:55h por Globo Esporte CE


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Torcedores entram em conflito em 2015 na Arena Castelão  (Foto: Yngrid Matsunobu)
Após a extinção determinada pela juíza Antonia Dilce Rodrigues Feijão no início do mês, a Torcida Organizada Cearamor (TOC), Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) e Torcida Organizada Jovem Garra Tricolor (JGT) entram com recurso nesta sexta-feira (17) no Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE) tentando reverter a situação atual. A decisão da titular da 36ª Vara Cível da Comarca de Fortaleza aceitou um pedido do Ministério Público do Estado do Ceará, que acusou as entidades de envolvimento em crimes de homicídios, lesões corporais graves, porte de armas, drogas e veículos roubados, além de brigas, rixas e depredação do patrimônio público e particular. 

Para o promotor de Justiça do Núcleo de Defesa do Torcedor (Nudetor) do Ministério Público do Ceará (MP-CE), Antônio Edvando Elias de França, a extinção é uma forma de deter a influência que as organizadas já trazem por gerações. Ele acredita que, mesmo com a possibilidade de criação de novas torcidas com os mesmos membros, essa é a extinção é melhor decisão. 

- Essa é a solução que está mais ao alcance do Estado. Ela é drástica porque você acabar com uma marca é muito forte. Elas vão recorrer, vão contrarrazoar o recurso e o processo sobe para o Tribunal de Justiça. O relator julga o recurso e resolve se mantém ou não. Se a decisão do Tribunal foi reformar, o MP-CE perde a briga, mas a gente acredita que será mantida. A consequência será o fechamento de todas as lojas da Cearamor, TUF e JGT, com a repercussão financeira para eles. Infelizmente, o crime entrou dentro delas. Se uniram para dificultar a punição aos integrantes, agem em multidão para que não haja como identificar quem fez ação. Os Termos de Ajustamento de Conduta (TAC's) sempre existiram. De 2012 para cá, fizemos reuniões. Uma vez, eu perguntei: "Como vocês sabem que lá dentro tem homicida, traficante e permitem?". Eles responderam: "Eles são torcedores e contribuintes, eles são problema de vocês". Para você ter uma ideia. O problema é sério, muito sério. Não se cria uma marca de uma hora para outra. Uma marca é construída ao longo do tempo. Cearamor e TUF têm muitos anos, são gerações que nasceram e as torcidas já existiam. Não é de uma hora para outra que eles vão fazer uma marca e vender. Ninguém sabe no futuro como vai ser com eles, mas, no momento, essa é a melhor solução mesmo - afirma o promotor do MP-CE. 

CEARAMOR, JGT E TUF SE DEFENDEM 

Os representantes das três maiores torcidas organizadas de Ceará e Fortaleza acreditam que vão voltar a entrar nas praças esportivas do estado com adereços - bandeiras, camisas, bonés - que os contemplem. Eles argumentam que a punição deve ser feita ao indivíduo, e não às organizadas. Para o presidente da Cearamor, Jeysivan Carlos, a organizada vem fazendo ações sociais e trabalho nos bairros conscientizando para que não haja atos violentos. Ele argumenta que a setorização seria importante para coibir ações de vandalismo nos próximos anos. E afirma que já existe diálogo com a Arena Castelão e com o Governo do Estado para setorizar o estádio e retirar parte das cadeiras onde fica o organizada do Vovô. 

 Cadastrado ou não, ele (o vândalo) vai seguir indo ao estádio. Queríamos cadastramento novo, setor específico somente para setor organizado. Setorização como existe nos outros estádios. Estávamos em um trabalho crescente. Até sexta, é o prazo para recorrer no Tribunal. É isso o que eu não admito, posso abrir outra torcida, e os indivíduos continuarem o mesmo. O que adianta? Fizemos reunião com lideranças dos bairros e Polícia. A gente poderia até perder componentes, mas ia ser selecionado o torcedor para fazer cadastro. A notícia da extinção veio quando já estava tudo caminhando para isso - explica Jeysivan. 

O representante da TUF, João Paulo Melo, afirma que a decisão é inaceitável. Isso porque, de acordo com José, a diretoria da torcida do Fortaleza vinha se reformulando e é contra vandalismo. Ele lamenta que a decisão tome como base notícias de jornais do período de 2003 até o ano de 2013, porque, segundo ele, a conduta dos indivíduos agora é diferente. Porém, na Copa do Nordeste de 2016, JGT e TUF entraram em conflito na Arena Castelão, o que gerou a suspensão das duas e da Cearamor dos estádios cearenses. João garante que os torcedores vândalos não eram cadastrados na TUF e haviam comprado as blusas da organizada longe da entidade.

- A nova diretoria é contra o vandalismo, é toda boa. Nós estamos tentando mudar esse conceito de torcida organizada que a grande maioria da população tem. Governo (do Estado) e Prefeitura (de Fortaleza) ajudam a gente e estão consciente do nosso trabalho. O Ministério Público está na contramão. Ao invés de procurar os devidos culpados, extingue as torcidas. Tenho o meu nome limpo, nunca me envolvi em baderna. Não somos vagabundos. Foi provado que extinção não é o método correto. Correto é punir quem se envolve em briga, quem leva maconha. A torcida é de 25 anos de história, tem gente que ajuda por amizade e que não quer ver o fim. Um a dá R$ 10, outro dá R$ 50 e assim a gente vai levando. Advogados não são baratos. O TAC é antigo, de 2012, e tinha de ser renovado. é de 2012 - afirma João Paulo Melo, da TUF. 

Em abril de 2012, já havia sido firmado o Termo de Ajustamento de Conduta entre o Ministério Público do Estado do Ceará (MP-CE), Polícia Militar do Ceará (PM), Secretaria do Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), Federação Cearense de Futebol (FCF) e as referidas torcidas organizadas. Na cláusula quarta do documento, constava o compromisso das torcidas de evitarem violência, tumultos, brigas, incitação à violência etc, sob penas das sanções ali previstas. O Ministério Público Estadual pediu formalmente a extinção das torcidas organizadas da Cearamor, do Ceará, Jovem Garra Tricolor (JGT) e Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) em outubro do ano de 2013. O MP-CE vem desde 2009 buscando resolver os conflitos envolvendo as torcidas adversárias. 
- Já temos advogado. Estamos entrando com o recurso até sexta no Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE). A torcida está esperançosa. Somos 800, no total. É uma média. A gente acredita na liderança das torcidas organizadas  - afirma Artur Saraiva, diretor-geral da Jovem Garra Tricolor. 

ADVOGADO COMPARA COM CASO NA MANCHA VERDE 

Para Carlos Eduardo Ambiel, especialista em legislação desportiva e um dos autores do Estatuto do Torcedor, a extinção das torcidas organizadas não é um exemplo exitoso e o que deveria ser feito é a punição dos indivíduos. Ele compara com a realidade em São Paulo, onde o Grêmio Recreativo e Cultural Torcida Mancha Alviverde (ou apenas Mancha Alviverde) foi fundada no dia 11 de janeiro de 1997, por integrantes da ex-torcida Mancha Verde, que foi extinta na capital paulista. 

- Extinguiu a Mancha Verde (nos anos 1990) e fundaram a Torcida Mancha Alviverde, com as mesmas pessoas, as mesmas entidades. O que foi extinto e pode recorrer e criar uma outra organização. A medida de extinção não é o que resolve. A gente sabe que ocorreu a recente briga do jogo no Nordestão, e isso motivou o Ministério Público e opinião pública para extinguir. Acho que não resolve. O histórico em SP não é esse. Para mim, a solução para violência é punir essas pessoas. O torcedor tem que ser punido ou condenado a frequentar delegacia. A experiência em SP é que isso não resolveu - afirma Carlos Eduardo Ambiel.  

Ele também explica que, caso não consigam vitória no TJ-CE, as torcidas organizadas de Ceará e e do Fortaleza podem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF). 

- A conduta criminosa não me parece ser da entidade, mas das pessoas. Será que é a torcida? Teoricamente, é mais fácil a gente identificar uma pessoa que brigou dentro do estádio do que quem briga fora do estádio. Hoje, a legislação permite que se puna quem participa de ações violentas nos estádios. Basta você incitar ou praticar a violência no evento ou até um raio de cinco quilômetros. Se é identificada, é somente aplicar a norma e punição. Temos lei que permite, temos identificação aparentemente viável, é difícil explicar por qual motivo não são punidas. E gera a sensação de que nada acontece - argumenta. 

Em Fortaleza não há um espaço específico para esse tipo de caso, em que o torcedor condenado por baderna seja isolado para não entrar nos estádios. No entanto, em março, o Fortaleza comunicou que a 4ª Unidade do Juizado Especial de Fortaleza, através do promotor Francisco Xavier Barbosa Filho e da juíza Maria José Bentes Pinto, definiu sentença para cinco dos sete infratores identificados como responsáveis por atos de vandalismo e violência na partida Fortaleza x Sport, na Arena Castelão, pela Copa do Nordeste. O jogo foi paralisado pelo conflito. 



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