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Ibiapaba

Ubajara: terra de Raimundo Magalhães Jr. celebra 104 anos de emancipação política

Publicada em 24/08/19 as 09:34h por Academia Brasileira de Letras - Foto: ABL


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 (Foto: @DR)

A cidade de Ubajara completa em 24 de agosto os seus 104 anos de emancipação política. Ubajara fez parte da jurisdição do município de Ibiapina, enquanto era Distrito da Paz.

Ubajara é a cidade que mais representa a Ibiapaba na área de turismo, com o Parque Nacional de Ubajara (PARNA), que tem como ícone o teleférico, o conhecido Bondinho de Ubajara, que atrai milhares de vistantes à Unidade de Conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio).

Um dos seus filhos mais ilustres é Raimundo Magalhães Jr, escritor, jornalista, político, visionário para a sua época, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras e é uma das referências no Brasil em livros biográficos. Em Ubajara, dentre as homenagens prestadas a ele, há a A Casa de Cultura Raimundo Magalhães Jr, localizada no Centro da cidade, onde funciona uma biblioteca pública e também é sede da Secretaria de Turismo, Meio Ambiente, Cultura e Esportes (SETUMACE).

A Prefeitura Municipal de Ubajara, desde o início deste mês, está com uma programação oficial de atividades e ações institucionais. Confira abaixo a programação de hoje até o dia 30 de agosto: 

Programação 

24/08 - sábado

 14h - Final do Campeonato Feminino e Master, no Estádio Municipal.

25/08 - domingo

14h - Lançamento do Selo Atleta, no Estádio Municipal.

15h - Final do UBASOCCERno Estádio Municipal

16h - Inauguração da Escolinha de Futebol, no Estádio Municipal.

27/08 - terça-feira

 9h - Inauguração da Casa da Gestante

13h30 - Abertura da Semana da Psicologia, na Câmara Municipal de Ubajara

30/08 - sexta-feira

 17h - Inauguração da Areninha, no Distrito da Jaburuna

Sobre Raimundo Magalhães Jr

Quinto ocupante da Cadeira 34, eleito em 9 de agosto de 1956 na sucessão de D. Aquino Correia e recebido pelo Acadêmico Viriato Correia em 6 de novembro de 1956. Recebeu os Acadêmicos Dinah Siveira de Queiroz e Jorge Amado.

Raimundo Magalhães Júnior, jornalista, biógrafo e teatrólogo, nasceu em Ubajara, CE, em 12 de fevereiro de 1907, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 12 de dezembro de 1981.

Filho do jornalista Raimundo Magalhães, autor do Vocabulário popular, publicado em 1911. Fez seus estudos na cidade natal e em Campos, para onde se transferiu aos 17 anos. Lá fez os estudos de humanidades e se iniciou no jornalismo, na Folha do Comércio, de que era o redator-chefe ao se transferir para o Rio em 1930. Desde 1927 escrevia peças de teatro e contos. Em 1934 a Editora Record lançou Impróprio para menores, seu primeiro livro de contos.

Na imprensa do Rio, foi secretário de A Noite Ilustrada, fez parte do grupo fundador do Diário de Notícias, diretor das revistas Carioca, Vamos Ler e Revista da Semana e redator de A Noite desde 1930.

Como correspondente no estrangeiro, foi mandado pelo jornal A Noite ao Paraguai durante a Guerra do Chaco, tendo escrito reportagens que foram simultaneamente transcritas em jornais de Assunção (Paraguai) e La Paz (Bolívia). Em missão jornalística passou três anos nos Estados Unidos. Foi assistente especial do escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos, que era então Nelson Rockefeller, posto em que permaneceu de 1942 a 1944. Colaborou no The New York Times, Pan-American Magazine, American Mercury e Theatre Arts. De volta ao Brasil, participou da redação da revista Brazilian-American, que então se publicava em inglês no Rio de Janeiro.

Na política, assinou Manifesto da Esquerda Democrática, que se converteu, em seguida, no Partido Socialista Brasileiro, pelo qual, em 1949, foi eleito vereador à Câmara do Distrito Federal, sendo reeleito em 1954.

Como autor teatral, escreveu mais de três dezenas de revistas, comédias e peças dramáticas, entre as quais sobressaem Carlota Joaquina, O imperador galante, Vila Rica, Canção dentro do pão e Essa mulher é minha. Foi membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais e seu diretor desde 1959 até o seu falecimento.

Foi também conselheiro do Serviço de Defesa do Direito Autoral. Participou dos Congressos Internacionais de Direito Autoral de 1952, em Amsterdã, e de 1969, em Viena. Foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Associação Brasileira de Tradutores.

Era um incansável pesquisador, e do seu trabalho de pesquisa resultaram várias biografias, antologias, dicionários, ensaios e, sobretudo, os volumes da obra esparsa de Machado de Assis: Contos sem data, Contos sem data, Contos esparsos, Contos avulsos, Contos e crônicas, Contos de Lélio e Diálogos e reflexões de um relojoeiro. Machadiano perspicaz, procurou determinar uma série de revelações sobre o autor de Dom Casmurro.

Como poeta, aparece na Antologia dos poetas bissextos contemporâneos, de Manuel Bandeira. Algumas de suas traduções de poetas franceses são reproduzidas na Antologia da poesia universal organizada por Sérgio Milliet. Como contista, teve trabalhos incluídos nas seguintes antologias: Contos do Brasil, de D. Lee Hamilton e Ned Fahs (EUA); Antologia do Carnaval, de Wilson Lousada; História de crimes e criminosos, de Edgard Cavalheiro e Raimundo de Menezes; Contos e novelas, de Graciliano Ramos; Brazilian Short Stories, de William Grossman.

Obteve vários prêmios literários, entre os quais o Prêmio do Serviço Nacional do Teatro, em 1940; o Prêmio Brasília de Literatura, da Fundação Cultural do Distrito Federal (1972); o Prêmio Juca Pato, como o "Intelectual do Ano", da União Brasileira de Escritores (1974). Antes de seu ingresso na Academia, obtivera os Prêmios Artur Azevedo (teatro), em 1945; José Veríssimo (ensaio e crítica); Carlos de Laet (crônica), em 1945; Prêmio Sílvio Romero (ensaio), em 1953.

Era membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e sócio correspondente dos Institutos Históricos e Geográficos de São Paulo e do Ceará.




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