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Ceará

Senador Cid Gomes deixa UTI de hospital e é transferido para Fortaleza após ser baleado em manifestação de policiais

Publicada em 20/02/20 as 15:45h por G1 CE


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Cid deixou a unidade em Sobral para ser transferido para Fortaleza em um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas  (Foto: Ciopaer)
O senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Coração, em Sobral, e foi transferido para uma unidade de saúde de Fortaleza na manhã desta quinta-feira (20). Ele chegou à capital no começo da tarde, em helicóptero, e ficará internado em hospital particular a pedido da família.

Cid foi baleado na quarta-feira (19) em um motim de policiais que reivindicavam aumento salarial. Quando foi atingido, ele tentava furar um bloqueio feito no 3º Batalhão da Polícia Militar do município com uma retroescavadeira.

De acordo com boletim divulgado pela unidade às 8h40 desta quinta-feira (20), o quadro de saúde do senador licenciado "evoluiu sem intercorrência nas últimas horas, mantendo-se hemodinamicamente estável e com padrão respiratório normal".

No início da manhã, o senador recebeu alta da UTI e foi para a enfermaria do hospital. Por volta das 11h, Cid deixou a unidade de saúde em uma ambulância com destino aeroporto do município. Um helicóptero com o político decolou em direção à capital cearense pouco depois das 11h30. Em nota, a assessoria do senador afirmou que ele foi transferido 'por questões familiares'. Ele 'está bem, conversando e respirando normalmente', informou a assessoria.

Por volta de 13h20, Cid chegou a hospital no Bairro Meireles, área nobre de Fortaleza, em ambulância do Samu. A chegada foi acompanhada pelo governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

Um vídeo gravado com o senador ainda na UTI foi compartilhado nesta quinta-feira pelo Hospital do Coração de Sobral, nas redes sociais. Cid Gomes agradeceu à equipe médica pelo atendimento e confirmou a saída da UTI. O senador aparece com curativos na região torácica, onde foi atingido pelos tiros. "Saio daqui sem necessidade de cuidados intensivos e já posso ser transferido para um quarto", afirmou.

Na quarta, o ex-governador Ciro Gomes, irmão de Cid, disse, também nas redes sociais, que o senador licenciado "não corre risco de morte", foi atingido por "dois tiros de arma de fogo" e que os disparos "não atingiram órgãos vitais, apesar de terem mirado seu peito esquerdo".

Inicialmente, a assessoria do senador licenciado disse que ele havia sido atingido por uma bala de borracha. Depois, foi informado que o tiro, na verdade, foi disparado por uma arma de fogo.

Disparos
Cid Gomes organizava uma ação contra um grupo de policiais que tentava impedir o trabalho da Polícia Militar no batalhão de Sobral. Pessoas encapuzadas esvaziaram pneus de carros da polícia para impedir o trabalho dos agentes de segurança na ruas.

Vídeos compartilhados nas redes sociais mostram o momento em que Cid Gomes tenta furar o bloqueio com a retroescavadeira e, logo depois, uma pessoa faz os disparos em direção ao senador licenciado. Os vidros do veículo também foram quebrados.

Em outras imagens registradas no local após a confusão, o senador licenciado aparece consciente e com a blusa manchada de sangue.

'Vocês têm cinco minutos'
Em frente ao bloqueio dos policiais, utilizando uma retroescavadeira, Cid Gomes pediu que os policiais deixassem o local: "Vocês têm cinco minutos pra pegarem os seus parentes, as suas esposas e seus filhos e sair daqui em paz. Cinco minutos. Nem um a mais", afirmou em um megafone.

Antes, Cid Gomes havia publicado nas redes sociais que estava em Fortaleza e que chegaria a Sobral no mesmo dia, por volta das 16h. No vídeo, ele afirmava que "quem deveria dar segurança para o povo está promovendo a insegurança, promovendo a desordem" e disse que iria "definir uma estratégia para dar paz". Sobral é também a cidade natal de Cid Gomes.

Ainda na tarde da quarta-feira (19), policiais de Sobral ordenaram que comerciantes fechassem as portas do Centro da cidade.

O 3º Batalhão de Sobral funciona de forma parcial na manhã desta quinta-feira, com parte das equipes atuando nas ruas. A retroescavadeira utilizada por Cid Gomes permanece na entrada do local. Após a confusão, a Secretaria da Segurança Pública do Ceará informou que agentes do Comando de Polícia de Choque (CPChoque) foram direcionadas ao batalhão e os agentes que estavam no local fugiram. Equipes do Comando Tático Rural (Cotar) do CPChoque também ocuparam o batalhão.

Investigação policial
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará diz que o crime contra o senador licenciado será investigado pelo Núcleo de Homicídios da Delegacia Regional de Sobral da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Segundo a nota, a Polícia Federal e a Polícia Civil vão atuar em conjunto e uma equipe do Grupo de Pronta Intervenção (GPI) da PF irá para Sobral. Ainda não há informações em relação a uma eventual prisão ou identificação do autor dos disparos.

O ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) autorizou nesta quarta-feira o envio da Força Nacional para o Ceará por 30 dias, contados a partir desta quinta (20). Antes, o ministério já havia comunicado que enviou equipes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal "para garantir a segurança do senador Cid Gomes".

"A operação terá o apoio logístico do órgão demandante, que deverá dispor da infraestrutura necessária à Força Nacional de Segurança Pública", detalha o texto da portaria.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT-CE), diz que já havia solicitado formalmente o apoio de tropas federais para o Ceará aos ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo da Presidência) e Sergio Moro (Justiça e Segurança) para uma "ação enérgica contra essas pessoas que têm agido como criminosas".

Santana afirma ainda que é "inacreditável a extrema violência sofrida pelo senador Cid Gomes, atingido por dois tiros, hoje, em Sobral" e que a violência foi "provocada por um grupo de policiais mascarados, amotinados num quartel".

Repercussão
Em nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou que acompanha o caso "com preocupação" e que solicitou informações ao ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança) e ao governador Camilo Santana (PT-CE) para "obter informações e garantir a segurança" de Cid.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou uma nota em que condena tanto "a escalada de confronto e violência" com os disparos contra Cid Gomes quanto os atos de "agentes mascarados aterrorizando a população e ordenando o fechamento de estabelecimentos comerciais". "Neste momento, faz-se necessário que autoridades, associações e representantes das instituições policiais tenham serenidade e responsabilidade para encontrar saídas pacíficas e dentro da legalidade."

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), usou as redes sociais para se pronunciar sobre o tumulto. O gestor da capital falou sobre o "espírito público" de Cid e demonstrou indignação pelos "atos inaceitáveis de criminalidade", referindo-se aos atos de alguns policiais militares em protesto por reajuste salarial.

Resumo:
Em 5 de dezembro, policiais e bombeiros militares organizaram um ato reivindicando melhoria salarial. Por lei, policiais militares são proibidos de fazer greve.
Em 31 de janeiro, o governo anunciou um pacote de reajuste para soldados.
Em 6 de fevereiro, data em que a proposta seria levada à Assembleia Legislativa do estado, policiais e bombeiros promoveram uma manifestação pedindo aumento superior ao sugerido.
Em 13 de fevereiro, o governo elevou a proposta de reajuste e anunciou acordo com os agentes de segurança. Um grupo dissidente, no entanto, ficou insatisfeito com o pacote oferecido.
Em 14 de fevereiro, o Ministério Público do Ceará (MPCE) recomendou ao comando da Polícia Militar do Ceará que impedisse agentes de promover manifestações.
Em 17 de fevereiro, a Justiça manteve a decisão sobre possibilidade de prisão de policiais em caso de manifestações.
Em 18 de fevereiro, três policiais foram presos em Fortaleza por cercar um veículo da PM e esvaziar os pneus. À noite, homens murcharam pneus de veículos de um batalhão na Região Metropolitana.
Em 19 de fevereiro, batalhões da Polícia Militar do Ceará foram atacados por grupos de pessoas encapuzadas e mascaradas. Em Sobral, homens encapuzados em carro da PM ordenaram que comerciantes fechassem as portas.

Invasão de batalhões policiais
Um grupo de policiais que reivindica aumento salarial e é contrário à proposta do governo de reestruturação da carreira da categoria realiza desde terça-feira (18) atos que a Secretaria da Segurança do Ceará considera "vandalismo" e "motim".

Ainda na terça, três policiais foram presos por cercarem veículo da polícia e furarem os pneus. Segundo o governo do estado, o ato é uma tentativa ilegal de impedir a atuação de policiais.

Nesta quinta-feira, quatro batalhões da Polícia Militar, localizados em Fortaleza e em Caucaia, na região metropolitana, amanheceram fechados. Na quarta-feira, pelo menos quatro batalhões foram invadidos por homens mascarados que levaram carros policiais e rasgaram pneus de veículos com objetos cortantes.

O governo do estado anunciou a abertura de processo disciplinar contra mais de 200 policiais dissidentes. Também anunciou que solicitou o reforço da Força Nacional e cortou o repasse de verba para associações policiais que, de acordo com o governo, apoiam os atos grevistas.

Reivindicação salarial
Parte dos policiais do Ceará realiza atos por reivindicação de aumento salarial. Uma proposta do governo do estado tramita na Assembleia Legislativa do Ceará é elevar o salário-base de um soldado dos atuais R$ 3,2 mil para R$ 4,5 mil. O aumento de R$ 1,3 mil ocorre de forma progressiva, até 2022.




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