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Brasil

Na crise, brasileiro corta salgadinho e compra menos cerveja

Publicada em 13/09/15 as 11:16h por Veja On Line


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 (Foto: Rádio Tabajara Am )
A aposentada Maria da Conceição trocou o contrafilé por carne moída e peito de frango. "E ainda misturo com bastante arroz para render mais". A desempregada Lilian Silva de Oliveira aderiu às marcas próprias dos supermercados, geralmente mais em conta. "E compro tudo em menor quantidade". A analista administrativa Tatiana Medeiros substituiu o cream cheese pelo requeijão, mas manteve o achocolatado da melhor qualidade. O comerciante Dailson Pereira de Sousa só pega o que estiver em promoção, mas não abre mão do refrigerante mais caro. A empregada doméstica Alcione América de Souza preferia melancia e manga, mas passou a se contentar com banana e maçã - estas, mais baratas.

Com a inflação beirando os 10% no ano, o comportamento dos brasileiros no supermercado mudou. A mesa está menos farta, a variedade de produtos é menor, mas, ao economizar comprando menos quantidade e menos itens, sobra um trocado para levar ao menos um "luxo", como que em um afago à memória dos tempos de bonança - ou, ao menos, para se sentir menos pobre. Essas são algumas das conclusões da pesquisa feita pela Dunnhumby, consultoria de mercado com sede em Londres, obtido com exclusividade pelo site de VEJA. "A crise força os clientes a tomar decisões mais fortes e conscientes", diz Adriano Araújo, diretor geral da Dunnhumby no Brasil, onde a empresa tem como clientes empresas como Pão de Açúcar, Coca-Cola, Drogasil e Unilever. "Assim, ele escolhe categorias que realmente fazem a diferença para ele. Nas categorias menos importantes, ele vai para o mais barato."

Os salgadinhos são os primeiros a serem riscados da lista: 30% dos entrevistados disseram que não os compram mais. Em relação aos produtos de limpeza, os mais baratos agora são os mais procurados - 38% dos consumidores ouvidos afirmaram ter optado por marcas mais econômicas. Já com bebidas alcóolicas (cerveja, vodca e vinho), a qualidade é o que mais importa - 42% afirmaram ter mantido a marca, mas reduzido a quantidade. Obviamente, os alimentos básicos (arroz, feijão e açúcar) continuam a vender a todo vapor - 54% disseram ter conservado o mesmo padrão de consumo de antes da crise.

Sim, a crise força compras menores e de versões mais baratas de produtos essenciais. Mas, no Brasil pós-ascensão da classe C, agora a carestia dá chance a um mínimo de autoindulgência. "Os dois extremos - o dos produtos mais baratos e o dos mais caros - são os menos afetados. A faixa intermediária é a que se dá pior", afirma Araújo. A Dunnhumby ouviu 700 consumidores das classes A, B e C entre os dias 25 e 28 de agosto deste ano.

Segundo a pesquisa, 80% dos entrevistados declararam economizar em determinados produtos para manter o luxo em outros. É o caso da empregada doméstica Alcione Souza, de 26 anos. Mãe de uma menina de 4 anos, ela diz que cortou tudo o que podia. "Mas com criança não dá para cortar leite, biscoito e 'Danone'. Por isso, economizo no material de limpeza. Nem sei mais o nome do sabão em pó que compro", diz. O mesmo raciocínio, embora com outros itens, fez a funcionária pública Ivete Santos, de 46 anos. Ela diz ter eliminado de sua lista de compras o que chama de "besteirinhas" - salgadinho e biscoito -, mas na sua geladeira não podem faltar os iogurtes funcionais. "Para mim, eles são saúde".

"O necessário, somente o necessário. O extraordinário é demais", cantarola a professora Maria Rosa, de 83 anos, ao ser perguntada sobre o que continua comprando com o orçamento mais apertado. "Antes eu comia mais fruta do que arroz e feijão. Agora, é o contrário", conta. Ainda assim, ela não eliminou alguns luxos, como tomar uma taça de vinho à noite no jantar. Em vez das caras frutas, arroz e feijão - e vinho.

As principais vítimas da alta dos preços são os mais pobres. Nos cálculos da Associação Paulista de Supermercados (Apas), enquanto as classes A e B gastam, em média, 22% da sua renda com o abastecimento de produtos básicos, as classe C, D e E consomem 40% da renda. "O brasileiro tentar manter o seu padrão de consumo. O país teve uma evolução muito rápida nos últimos anos. E essas pessoas que nunca tiveram acesso a certos produtos não querem mais perdê-lo", diz Rodrigo Mariano, economista da entidade.



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